Você é único – A chave de uma psicoterapia

4 Jan 2018

É comum que pacientes desejem saber se seus psicoterapeutas e analistas (sendo a psicanálise minha orientação teórica) vivem ou viveram situações semelhantes ao que se refere às dores e angústias que trazem em suas sessões. Perguntas como “já perdeu alguém?”, “já se apaixonou?”, “tem filhos para saber como é?”,  “tem ou já teve tal doença?” entre outras, eventualmente surgem numa tentativa de encontrar naquele profissional um ponto que garanta a mais perfeita compreensão do que aquele paciente está vivendo e sentindo.

Nesta lógica, supostamente apenas seria possível saber o que é aquela experiência quem também passa por ela. Obviamente, como é o caso de grupos de ajuda mútua, essa troca ajuda a perceber que não se está só e a encontrar até companheiros de caminhada. Tem efeitos benéficos neste sentido, pois permite novos olhares entre pessoas que vivem uma experiência similar.

O que acontece no caso da análise ou psicoterapia individual é justamente o que o nome diz: a experiência é individual, única. Portanto, cada um a vive à sua maneira e da maneira que pode. É a partir disso que o profissional buscará identificar o que aquela experiência representa e significa para aquela pessoa que tem diante de si. O impacto de um acontecimento tem sua grandeza relacionada muitas vezes a eventos mais antigos, à capacidade de se valer de recursos internos, os chamados recursos emocionais para lidar com determinadas situações e também com os recursos externos disponíveis, ou seja, o quanto se é provido do amparo necessário para vivenciar o acontecimento em questão.

Ao conseguir, junto com o paciente, identificar que recursos este paciente tem para se estruturar diante de terminadas situações, o profissional poderá ajuda-lo a identificar suas próprias forças, ainda que lhe pareça, naquele momento, não tê-las o suficiente. Para isto, o profissional  se vale de técnicas específicas que lhe permitem trazer, através das palavras ditas (e em algum ponto, as não ditas), gestos, de como e quando as emoções se manifestam e de como ele se relaciona com si e com os outros os elementos necessários para compreender determinados acontecimentos e assim, dar ao paciente a ajuda que ele precisa.

Mais do que técnicas, o profissional sabe escutar e olhar. Estar atento a cada componente trazido pelo paciente é fundamental para seu progresso. O profissional teria no mínimo uma vida intensa se vivesse experiências semelhantes a cada um de seus pacientes, o que acabaria por não ser possível. Portanto, escutar, olhar e compreender aquela pessoa, única como ela é, é dar a ela a compreensão de sua singularidade e do conhecimento de sua própria essência.

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