Mudei de país. E agora?

11 Jul 2018

 

Ir para outro país, seja por decisão própria, seja por conta de outros fatores pode levar a uma série de sentimentos tão controversos quanto pode ser a dor e a delícia de se vivenciar a experiência de estar em um novo lugar.

Vai-se do encantamento ao desencanto, da saudade à descoberta de novas redes pessoais, do experimentar novos gostos à nostalgia de saborear aquela comidinha do país de origem. Invariavelmente, levamos na mala mais do que roupas e outros objetos. Levamos expectativas, receios, desejos, sonhos, dúvidas, esperanças.

Os motivos dessa mudança também dirão um tanto do que ela significa. Quando é parte de um plano, se há um prazo predeterminado, se não se sabe quando será o regresso, se haverá oportunidades de visitas a quem fica para trás ou não. Se se foi só ou acompanhado. E quem acompanha como fica? É comum que familiares sofram mais com o processo de adaptação num novo país, como cônjuge ou como filhos. Ainda que tenha havido um acordo, há que o faça contrariado. Uma boa compreensão de como se deu essa mudança para o núcleo familiar ajuda com que esta família possa se apoiar mutualmente.

Outros fatores: o quanto se está aberto para essa mudança, o quanto se desejou que ela acontecesse. O que ficou para trás. Mudar-se para outro país exige que escolhas sejam feitas, que se abdique de alguma coisa para que outras sejam possíveis.

E por fim, há o que trazemos de nós. Referencias pessoais de costumes, da vestimenta, do cotidiano, da língua estrangeira e que às vezes é estranha ainda que seja a mesma língua. O estranhamento de quem ali é um estranho. E o que significa ser estranho? Ser estrangeiro?

Mudar-se de país tem sim suas expectativas e encantos, mas não se pode deixar de reconhecer que é um processo de adaptação que se facilita através de um apoio adequado. Um processo que inclui buscar novas formas de conexão com aquele lugar novo e consigo.

 

Julia Bartsch é psicóloga e psicanalista com consultório em Perdizes, São Paulo. Atende em português, espanhol, francês e inglês. 
11 998642211 ou jbartsch.psi@gmail.com

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